quarta-feira, 15 de maio de 2013

Discussão do Artigo "The historical biogeography of Mammalia" - Springer et al. 2011.

Olá a todos,

bom, retomando as discussões de Biogeografia, convido a todos para participar da discussão do artigo " The historical biogeography of Mammalia" - Springer et al. 2011.

Fig. 5 - Hipóteses alternativas para a dispersão dos ancestrais de Platytthine (macacos do Novo Mundo) e Caviomopha (roedores do Novo Mundo).


O artigo discute um pouco como os diferentes métodos de análise biogeográfica podem influenciar os resultados e propõem um panorama comparado para a diversificação dos mamíferos placentários.

A reunião irá acontecer no dia 22/05, as 14h no auditório do BADPI.

Quem tiver interesse é só entrar em contato e participar.

Abraços e até lá,

Um comentário:

Leonardo Miranda disse...

Quanto ao aspecto metodológico para reconstrução da área ancestral, existem basicamente 5 tipos de métodos: “dispersalism, phylogenetic biogeography, panbiogeography, cladistic biogeography, and parsimony analysis of endemicity” (Morrone and Crisci, 1995). Nesse artigo proposto para discussão (Springer et al., 2011), em outro mais antigo (Clark et al., 2008), e, ainda, outro mais recente (Pirie et al., 2012) não se chega à um consenso sobre qual método tem mais “força”. Ainda pior, talvez, em Clark et al., 2008 os autores afirmam: “The methods yield conflicting results, which we interpret in light of their respective assumptions.”
No principio da filogenia molecular vários parâmetros e algorítimos [parcimônia, verossimilhança e bayesianas] eram usados, em busca de congruência. Algumas vezes os suportes não eram robustos, entretanto se houvesse congruência nos resultados a partir de otimizações diferentes, havia um indicio de que as relações eram mais prováveis. Hoje, existem tantos parâmetros, que o risco agora é de superparameterização; além disso o abandono de processos mais "fracos", como a parcimônia. O mesmo processo ocorre com as estimativas de tempo de divergência!
Acredito que, tão importante quanto inferir relações filogenéticas e estimar os tempos de divergências, a reconstrução das áreas ancestrais é mais um conjunto de dados para entender e tornar mais claros os processos de diversificação no tempo. Contudo, acredito também, que o processo deva ser o mesmo já que não há acurácia para chegar a resultados verossímeis: aplicar métodos de reconstrução diferentes em busca de congruências para dar suporte às hipóteses e não interpretar os resultados sob a perspectiva das premissas de cada método.

Clark J.R., Ree R.H., Alfaro M.E., King M.G., Wagner W.L., Roalson E.H., 2008. A comparative study in ancestral range reconstruction methods: retracing the uncertain histories of insular lineages. Systematic biology. 57, 693–707.
Morrone J.J., Crisci J. V, 1995. Historical Biogeography: Introduction to Methods. Annual Review of Ecology and Systematics. 26, 373–401.
Pirie M.D., Humphreys A.M., Antonelli A., Galley C., Linder H.P., 2012. Model uncertainty in ancestral area reconstruction : A parsimonious solution ? Taxon. 61, 652–664.
Springer M.S., Meredith R.W., Janecka J.E., Murphy W.J., 2011. The historical biogeography of Mammalia. Philosophical transactions of the Royal Society of London. Series B, Biological sciences. 366, 2478–502.