terça-feira, 17 de julho de 2012

Biogeografia de Aves Amazônicas - Discussão de artigo


Dia 26 de junho de 2012:

Sex and Sociality in a disconnected world: a review of the impacts of habitat fragmentation on animal social interactions

Banks, S. C.; Piggot, M. P.; Stow, A. J.; and Taylor, A. C. 2007. Can J. Zool. 85: 1065-1079.

Discutimos nas últimas semanas hipóteses de origem e manutenção da biota amazônica, chamando a ateção para a importância de adequar a escala temporal dos etudos em biogeografia, buscando associações entre a idade de diversificação de linhagens e a idade de eventos hipotetizados como promotores da diversificação estudada (e.g. formação de drenagens e interflúvios, cadeias de montanhas, refugios florestais). Discutimos o efeito dos grandes rios para especiação alopátrica através de vicariancia, e os possiveis efeitos das oscilações climaticas do Pleistoceno, particularmente do Ultimo Maximo Glacial, a 18 kya, na re-organização da distribuição geográfica de espécies amazônicas, mediada por frgamentação de ambientes florestais em um period mais frio e seco. Durante essas discussões, surgiram questões sobre a relevância de atributos da história natural de cada espécie, que poderiam afeta-las diferentemente em caso de alterações nos ambientes que ocupam, como por exemplo padrões de movimentação e capacidade de dispersão, especificidade de habitat, dieta, sistemas reprodutivos e comportamentos sociais. Assim, discutimos a seguir um artigo de revisão sobre as possiveis alterações geográficas e demográficas em populações e espécies decorrentes da fragmentação de habitats, mediadas por aspectos de suas histórias naturais e, em particular, de suas interações sociais. O artigo expõe que, apesar da extensa literature sobre os efeitos da fragmentação de habitats sobre a distribuição e abundância de espécies, estudos sobre os mecanismos que podem afetar esses padrões, como atributos da história de vida de organismos, ainda são raros. Os autores discutem que as interações sociais são aspectos da história de vida com importantes consequencias para o sucesso reprodutivo dos indivíduos, e que apresentam diferenças entre populções de acordo com variações geográficas e em dinâmicas populacionais. Com isso, eles indicam que a fragmentação florestal pode afetar as interações sociais e esses efeitos podem contribuir para a viabilidade de populações e padrões de distribuição e abundância de espécies em ampla escala geográfica. A revisão aborda alterações em fatores que afetam estrategias sociais, incluindo disponibilidade de recursos (qualidade do habitat e distribuição das manchas de recursos), interações inter-especificas (pradador-presa, parasitas-hopsedeiros) e sexo (disponibildiade de parceiros e risco de endocruzamento). Os estudos apresentados ilustram alterações em estrategias sociais que incluem mudanças na taxa de sobreposição de territórios, territorialidade, tamanho de grupo e sistema de acasalamento. As respostas são classificadas pelos autores como passivas, quando impostas por restrições da nova configuração da paisagem (e.g. aumento de trasnmissão de parasitas por contato devido ao amento do tamanho de grupo ou falta de pareamento reprodutivo), ou adaptativas, quando existe resposta social a nova configuração do ambiente (e.g. alternar entre monogamia e poligamia em resposta a mudanças nas razões sexuais, a s quais podem se alterar devido a dispersão diferencial entre sexos em paisagens fragmentadas). Os autores sugerem que estudos futuros poderão contribuir testando as consequencias dessas mudanças para o sucesso reprodutivo individual, o que ainda não esta claro. Discutimos na reunião que a natureza do estudo não permite generalizações sobre os efeitos de diferentes historicos de fragmentação, como por exemplo o efeito do tipo de matriz da paisagem fragmentada, ou mesmo sobre a variação em suscetibilidade de cada grupo taxonomico devido as suas caracteristicas intrinsecas.


domingo, 3 de junho de 2012

Biogeografia de Aves Amazônicas - Apresentação





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Próxima reunião: 12 de junho de 2012 às 15hs

Local: Auditório do BADPI, INPA, Manaus 

Apresentação - Marina Anciães: 

Distribuição e diversidade de piprídeos e paleoclimas: 

alternância entre os últimos períodos interglacial e glacial 

máximo

Mudancas climaticas durante o pleistoceno foram consideradas por Haffer como chave para a origem da diversidade da biota Neotropical, quando refugios florestais (areas isoladas com condicoes propicias para ocorrencia de especies florestais) concentraram a diversidade de animais e plantas em periodos frios e secos e teriam levado a formacao de novas especies por especiacao alopatrica. Enquanto esta hipotese seja considerada fraca para explicar padroes de especiacao de taxons Neotropicais, sobretudo devido a incongruencia temporal entre a idade de linhagens evolutivas conhecidas e tais mudancas climaticas, e ainda devido a duvidas quanto a existencia e localizacao de refugios, estudar padroes de alteracoes na distribuicao de diversidade de especies em cenarios climaticos previstos para o passados pode auxiliar a desvendar  1) se refugios seriam previstos  e 2) se a localizacao previstas para estes explicaria a distribuicao da diversidade atual. Independente do papel de alternancias climaticas passadas na origem da diversidade de especies (i.e. especiação), refugios florestais poderiam atuar em sinergia com fatores considerados importantes para tal (e.g. rios como barreiras, barreiras fisicas como montanhas e arcos geologicos, e a reorientacao da drenagem amazonica). Se não para a formacao de novas especies hoje reconhecidas, os refugios poderiam agir como filtros ambientais, posteriores a especiacao e, assim, determinarem a distribuicao da diversidade de especies. Ainda, estas areas podem ter atuado na origem de linhagens evolutivas ainda muito recentes para serem identificadas. Previsoes de distribuicao de cerca de 30 especies de  tangaras (Aves: Pipridae) para periodos climaticos passados, ultimo interglacial (LIG - 150.000 anos) e ultimo maximo glacial (LGM - 18.000 anos), feitas com modelos de nichos ecologicos, foram utilizados para avaliar estas possibilidades. Ainda que uma forte retracao de distribuicoes das especies tenha sido prevista para o LGM, concordante entre especies em regioes da borda da bacia amazonica, indicando que refugios pleistocenicos são plausiveis (dado já indicado por outros estudos similares com aves e plantas), tais locais já concentravam a diversidade de especies da familia durante o LIG. Alem disso, a expansao das distribuicoes observadas após o LGM (i.e. as distribuicoes atuais) resulta em um padrao de distribuicao de especies praticamente identico aquele previsto para o LIG, indicando que ainda que os refugios previstos sejam areas de estabilidade climatica (e com elevada diversidade relativa em qualquer periodo), a distribuicao da diversidade atual não pode ser explicada pela localizacao dos mesmos. Possivelmente, porem, a alternancia entre periodos interglaciais e glaciais mais antigos tenha atuado na manutencao do padrao observado atualmente, limitando a expansao de distribuicoes para alem da pevista segundo estes modelos.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Biogeografia de Aves Amazônicas - Discussão de Artigos

O próximo artigo a ser discutido será:

The Role of Physical Barriers in the Location of Avian Suture
Zones in the Guiana Shield, Northern Amazonia


Dia 29 de maio de 2012
15hs
Auditório do BADPI / INPA Campus 2 / Manaus-AM
(data, hora  e local serão confirmados em breve!)

Veja o resumo


Biogeografia de Aves Amazônicas - Discussão de Artigos

Phylogeography of the chestnut-tailed antbird (Myrmeciza hemimelaena) clarifies the role of rivers in Amazonian biogeography.

Voltamos e discutir artigos sobre biogeografia, agora com foco para Aves Amazônicas, mas sugestões de outros assuntos e artigos são bem vindas!

Dia 15 de maio de 2012 foi discutido o artigo acima, sobre diversificacão de uma espécie de Thamnophilideo Amazônico.

Veja o artigo

As próximas discussões serão divulgadas aqui no blog!



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Palestra: Evolução do Sistema fluvial da Amazônia e significância do Arco de Purus


PALESTRA AMANHÃ
(Quinta feira, 15 de abril de 2010, 17hs, Auditório do BADPI)



Evolução do Sistema fluvial da Amazônia e significância do Arco de Purus com base na estratigrafia e proveniência de depósitos do Cretáceo Superior e Cenozóico da Amazônia Central


Dr. Afonso Nogueira

Instituto de Geociências

Universidade Federal do Pará


segunda-feira, 8 de março de 2010

Amazonia: Landscape and Species Evolution

Este livro foi lançado em fevereiro de 2010 e traz muita informação sobre a história das paisagens Amazônicas. Essas informações são muito interessantes para entendermos melhor a origem e organização espacial da diversidade que estudamos. Abaixo, a listagem dos capítulos do livro. Podemos escolher alguns para discutir nas próximas reuniões.


AMAZONIA: LANDSCAPE AND SPECIES EVOLUTION - INDEX:

1 Introduction: Amazonia, landscape and species evolution (Carina Hoorn and Frank P. Wesselingh).

Part I Tectonic processes as driving mechanisms for palaeogeographical and palaeoenvironmental evolution in Amazonia

2 Geological evolution of the Amazonian Craton (Salomon B. Kroonenberg and Emond W.F. de Roever).

3 The Paleozoic Solimões and Amazonas basins and the Acre foreland basin of Brazil (Joaquim Ribeiro Wanderley-Filho, Jaime Fernandes Eiras, Paulo Roberto da Cruz Cunha and Paulus H. van der Ven).

4 Tectonic history of the Andes and sub-Andean zones: implications for the development of the Amazon drainage basin (Andres Mora, Patrice Baby, Martin Roddaz, Mauricio Parra, Stéphane Brusset, Wilber Hermoza and Nicolas Espurt).

5 Cenozoic sedimentary evolution of the Amazonian foreland basin system (Martin Roddaz, Wilber Hermoza, Andres Mora, Patrice Baby, Mauricio Parra, Frédéric Christophoul, Stéphane Brusset and Nicolas Espurt).

6 The Nazca Ridge and uplift of the Fitzcarrald Arch: implications for regional geology in northern South America (Nicolas Espurt, Patrice Baby, Stéphane Brusset, Martin Roddaz, Wilber Hermoza and Jocelyn Barbarand).

Part II Cenozoic depositional systems in Amazonia

7 The Amazonian Craton and its influence on past fluvial systems (Mesozoic-Cenozoic, Amazonia) (Carina Hoorn, Martin Roddaz, Rodolfo Dino, Emilio Soares, Cornelius Uba, Diana Ochoa-Lozano and Russell Mapes).

8 The development of the Amazonian mega-wetland (Miocene; Brazil, Colombia, Peru, Bolivia) (Carina Hoorn, Frank P. Wesselingh, Jussi Hovikoski and Javier Guerrero).

9 Marine influence in Amazonia: evidence from the geological record (Jussi Hovikoski, Frank P. Wesselingh, Matti Räsänen, Murray Gingras and Hubert B. Vonhof).

10 Megafan environments in northern South America and their impact on Amazon Neogene aquatic ecosystems (M. Justin Wilkinson, Larry G. Marshall, John G. Lundberg and Mikhail H. Kreslavsky).

11 Long-term landscape development processes in Amazonia (Georg Irion and Risto Kalliola).

Part III Amazonian climate, past and present

12 Climate variation in Amazonia during the Neogene and the Quaternary (Hubert B. Vonhof and Ron J.G. Kaandorp).

13 Modelling the response of Amazonian climate to the uplift of the Andean mountain range (Pierre Sepulchre, Lisa C. Sloan and Frédéric Fluteau).

14 Modern Andean rainfall variation during ENSO cycles and its impact on the Amazon drainage basin (Bodo Bookhagen and Manfred R. Strecker).

Part IV Cenozoic development of terrestrial and aquatic biota: insights from the fossil record

15 A review of Tertiary mammal faunas and birds from western Amazonia (Francisco Ricardo Negri, Jean Bocquentin-Villanueva, Jorge Ferigolo and Pierre-Olivier Antoine).

16 Neogene crocodile and turtle fauna in northern South America (Douglas Riff, Pedro Seyferth R. Romano, Gustavo Ribeiro Oliveira and Orangel A. Aguilera).

17 The Amazonian Neogene fish fauna (John G. Lundberg, Mark H. Sabaj Pérez, Wasila M. Dahdul and Orangel A. Aguilera).

18 Amazonian aquatic invertebrate faunas (Mollusca, Ostracoda) and their development over the past 30 million years (Frank P. Wesselingh and Maria-Inês F. Ramos).

19 The origin of the modern Amazon rainforest: implications of the palynological and palaeobotanical record (Carlos Jaramillo, Carina Hoorn, Silane A.F. Silva, Fatima Leite, Fabiany Herrera, Luis Quiroz, Rodolfo Dino and Luzia Antonioli).

20 Biotic development of Quaternary Amazonia: a palynological perspective (Hermann Behling, Mark Bush and Henry Hooghiemstra).

Part V Modern perspectives on the origin of Amazonian biota

21 Contribution of current and historical processes to patterns of tree diversity and composition of the Amazon (Hanster Steege, ATDN (Amazon Tree Diversity Network: collective author) and RAINFOR (The Amazon Forest Inventory Network: collective author).

22 Composition and diversity of northwestern Amazonian rainforests in a geoecological context (Joost F. Duivenvoorden and Alvaro J. Duque).

23 Diversifi cation of the Amazonian flora and its relation to key geological and environmental events: a molecular perspective (R. Toby Pennington and Christopher W. Dick).

24 Molecular studies and phylogeography of Amazonian tetrapods and their relation to geological and climatic models (Alexandre Antonelli, Adrián Quijada-Mascareñas, Andrew J. Crawford, John M. Bates, Paúl M. Velazco and Wolfgang Wüster).

25 Molecular signatures of Neogene biogeographical events in the Amazon fish fauna (Nathan R. Lovejoy, Stuart C. Willis and James S. Albert

Part VI Synthesis

26 On the origin of Amazonian landscapes and biodiversity: a synthesis (Frank P. Wesselingh, Carina Hoorn, Salomon B. Kroonenberg, Alexandre Antonelli, John G. Lundberg, Hubert B. Vonhof and Henry Hooghiemstra).

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A identificação de componentes bióticos como um problema em biogeografia com exemplos amazônicos


Desde os tempos de Buffon, é bem conhecido que regiões diferentes do planeta hospedam biotas distintas, mas com algumas espécies em comum. Em 1858, o ornitólogo Philip Sclater propôs que um problema importante para a história natural seria estabelecer a “divisões ontológicas mais naturais” do planeta. O próprio Sclater propôs uma destas divisões que depois foi seguida com alguma modificação por Wallace. Esta é a conhecida divisão do mundo em regiões Neotropical, Neártica, Paleotropical etc. As questões levantadas por Sclater continuam modernas mesmo depois de tanto tempo e do advento das ferramentas de geoprocessamento e da sistemática molecular.

Recentemente, em sua proposta de biogeografia evolutiva, Morrone (2009) sugeriu que antes de fazer tais regionalizações biológicas é necessário identificar os componentes bióticos de uma fauna ou flora. Tais componentes bióticos são “conjuntos de táxons integrados espaço-temporalmente que coexistem em determinada área” (Morrone 2009). Do ponto de vista de abordagens conceituais/metodológicas estes componentes bióticos podem ser identificados ou reconhecidos através de traços generalizados da tradição panbiogeografica de Croizat, de áreas de endemismo da tradição da biogeografia cladística e, mais recentemente, dos elementos bióticos propostos por Hausdorf com raízes na biogeografia ecológica.

Como identificar os componentes bióticos na Amazônia? Há tempos a Amazônia é tida como uma região biogeograficamente distinta de outras regiões. Entretanto, as divisões ontológicas internas na Amazônia ainda precisam ser mais bem conhecidas, ainda mais em um sistema com biodiversidade sub-amostrada. Talvez tenha sido o ornitólogo e geólogo Jürgen Haffer, o primeiro a descrever as divisões internas da Amazônia no escopo da teoria dos refúgios. Haffer iniciou uma tradição de se identificar componentes bióticos na Amazônia que se estendeu a vários táxons como plantas e invertebrados. Infelizmente, tal tradição teve seu ímpeto refreado pela conclusão de que a sub-amostragem de biodiversidade na bacia amazônica tinha grande efeito no estabelecimento dos componentes bióticos regionais. A escassez de dados, entretanto, não deve ser desculpa para não se avançar no entendimento das divisões biogeográficas da Amazônia com o risco de considerá-la homogênea do ponto de vista da distribuição das espécies.

Os biólogos que trabalham na Amazônia devem continuar avançando no conhecimento da fauna e flora de vários sub-setores da bacia, bem como sintetizar os conhecimentos esparsos da distribuição destas espécies para elaborar cenários hipotéticos de componentes bióticos. Algumas propostas de componentes bióticos para a Amazônia já existem na forma de áreas de endemismo e de traços generalizados. O quanto estes componentes se aplicam a diversos táxons ainda precisa ser melhor investigado. A identificação de componentes bióticos para a Amazônia é de fundamental importância para se entender os cenários de evolução geobiótica e estabelecer e avaliar as prioridades de conservação regional.

Texto e condução da discussão dia 25: Dr. Sergio Henrique Borges (FVA)

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Artigos para leitura e discussão dia 25 de fevereiro de 2010

Harold, A.S. e Mooi, R.D. 1994. Areas of endemism: definition and recognition criteria. Systematic Biology 43: 261-266.

Hausdorf, B. 2002. Units in biogeography. Systematic Biology 51: 648-652.

Morrone, J. 1994. On the identification of areas of endemism. Systematic Biology 43: 438-441.

Morrone, J. 2004. Panbiogeografía, componentes bióticos y zonas de transición. Revista Brasileira de Entomologia 48: 149-162.

Literatura Complementar

Franco, P.R. e Berg, C.C. 1997. Distributional patterns of Cecropia (Cecropiaceae): a panbiogeographic analysis. Caldasia 19: 285-296.

Morrone, J. 2000. A new regional biogeography of the Amazonian subregion, mainly based on animal taxa. Anales de Instituto de Biología de la UNAM, Serie Zoologia 71: 99-123.

Morrone, J. 2001. Homology, biogeography and areas of endemism. Diversity and Distributions 7: 297-300.

Morrone, J. 2009. Evolutionary biogeography: an integrative approach with case studies. Columbia Press.

Silva, J.M.C, Rylands, A., Fonseca, G. 2005. O destino das áreas de endemismo da Amazônia. Megadiversidade 1: 124-131.